

Teatro
Teatrólogo por formação e paixão, Jesus Chediak foi um homem de gestos largos, que parecia estar sempre em cima de um palco interpretando e dirigindo uma cena – e de fato dirigiu muitas. Em sua casa, guardava diversos objetos e esculturas que remetiam ao universo das artes cênicas, como as máscaras do teatro, cuja história se origina da Grécia Antiga.

Conservatório Nacional de Teatro


O auto da alma
Jesus Chediak cursou, de 1963 a 1966, o antigo Conservatório Nacional de Teatro, hoje Centro de Letras e Artes da UNIRIO. Como aluno, uma das primeiras peças que encenou foi “O auto da alma”, de Gil Vicente. Apesar de seu nome de batismo, Jesus interpretava o diabo. Nas fotos, imagens da peça com Jesus em cena, aos 20 e poucos anos, de máscara e cinto. Na segunda imagem, Jesus contracena com o ator Rubens Araújo.

Os fuzis da Senhora Carrar
Outra peça que Jesus encenou como aluno do Conservatório de Teatro foi “Os fuzis da Senhora Carrar”. Na foto, ele aparece com a mão na altura do rosto, contracenando com Ana Maria Magalhães e Carlos Gregório.
Em São Luís do Maranhão

Professor de teatro
Durante o ano de 1968, Jesus Chediak foi professor e diretor de interpretação teatral, trabalhando para a Secretaria de Educação e Cultura do Estado do Maranhão. O governador era José Sarney, que chamava Jesus de “meu pequeno príncipe”. Na imagem, o diploma de Ignez Eleonora Morais Perdigão, que utiliza o nome artístico de Ignez Perdigão e foi aluna de Jesus no Maranhão.

Aluno notável
Fundador do Teatro Profissional do Negro, Ubirajara Fidalgo foi aluno de Jesus Chediak no Maranhão.

Com o elenco da peça "Onde há uma cruz"

Fachada da Escola de teatro da UFBA 1969
Entre 1969 e 1971, Jesus viveu anos intensos. Nesse período, ele foi professor e diretor da Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA). No final de uma das sessões da peça “Onde há uma cruz”, de Eugene O'Neill, foi tirada uma foto dele com o elenco. Da esquerda para direita: Deusdeth Almeida, Alberico Rodrigues, Jesus Chediak (orientador), Nivaldo Brandão, Normalice Souza, Raimundo Matos, Alberto Martins, Josito Rangel (iluminador). Sentados, Harildo Déda e Raimundo Melo (aluno-diretor), 1969. Foto de Claudio Reis.

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Cenas da peça “Macbeth”
Nas fotos, vemos cenas da peça “Macbeth”, de William Shakespeare. Na primeira imagem, atores interagem com a plateia. A peça foi encenada em 1970 na Bahia. Jesus não participou diretamente da equipe do espetáculo, mas era diretor da escola de teatro da UFBA e esteve junto ao grupo de alunos que acolheu Henrique Ariman, argentino que dirigiu a montagem. Em determinado momento da peça, um bode é sacrificado diante do público, o que causou bastante polêmica na época.
Universidade Federal da Bahia, UFBA

Teatro da CEU
Entre 1977 e 1978, Jesus teve participação importante na criação do teatro da Casa do Estudante Universitário (CEU), no Rio de Janeiro.

Van Gogh e o ciclo da carne
Inaugurando o teatro da CEU, em 1977, Jesus Chediak dirigiu “Van Gogh e o ciclo da carne”. Com textos de Antonin Artaud e Agostinho Santos, o espetáculo foi realizado em parceria com o Conselho Federal de Cultura. No entanto, a peça foi censurada pelo regime militar. Segundo documentos disponíveis no Arquivo Nacional sobre a época da ditadura, os censores riscaram diversas expressões contidas no texto da peça, tais como “gaiola de general”. No mesmo ano, o espetáculo foi liberado, ficando em cartaz durante alguns meses.


A flor e o fato
Cenas da peça “A Flor e o Fato”, dirigida por Jesus Chediak, em 1978, no Rio de Janeiro. Uma das atrizes em cena nas fotos, que aparece de braços cruzados em um imagem e com o braço estendido na outra, é Alice Viveiros de Castro. A outra atriz é Dayse Lourenço. Esta encenação refere-se ao espetáculo "A Flor e o Fato - Módulo 2", feito no Teatro Cândido Mendes de Ipanema. A mesma peça já havia sido encenada antes, também com direção de Jesus, na Sala Corpo e Som 2 do Museu de Arte Moderna (MAM). Na ocasião, a sala Corpo e Som 1 foi onde se deu a origem do incêndio que destruiu quase todo o museu e o acervo da instituição. A sala Corpo e Som 2 foi o único local preservado, daí a possibilidade de a peça ter sido realizada.
De volta ao Rio



O processo da violência
Cenas da peça “O processo da violência”, dirigida por Jesus Chediak e encenada no palco da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em 1979. A peça tinha como tema o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, ocorrido em 1975, e contou com a participação dos atores Heleno Prestes e Clemente Viscaíno. Este último interpretava um dos algozes de Herzog. Como Jesus sempre contava e como as fotos comprovam, a montagem do cenário, assinada pelo cenógrafo José Dias, foi feita de forma bastante criativa, driblando o baixo orçamento, com o uso de caixotes. O espetáculo foi muito elogiado e foi considerado pelo crítico Luiz Carlos Maciel, da revista Veja, como um dos 10 melhores da década de 1970.

Casa do Estudante do Brasil
Jesus Chediak em ação, como professor de teatro, na Casa do Estudante do Brasil, no bairro do Castelo, Rio de Janeiro, em 1982. Uma das peças ensaiadas nessa época, sob orientação de Jesus, foi "Joana D'Arc entre as chamas". Foto: Cil Guimarães.

Paixão de Cristo

O pão e o vinho
Em 1998, convidado pelo padre Navarro, Jesus Chediak dirigiu o megaespectáculo “Paixão de Cristo – A história do Amor”. Estrelada por Eduardo Dusek, no papel de Cristo, com Zaira Zambelli interpretando Maria Madalena, participação especial de Edson Celulari e um elenco enorme, a peça foi encenada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e no Teatro da Lagoa.
Camiseta com estampa assinada pelo desenhista Carlos Scliar foi o símbolo da peça "Paixão de Cristo - Uma história do amor".

Teatro permanente
Em 1994, durante o governo de Nilo Batista no Rio, houve movimentações para a criação do Teatro Permanente do Rio de Janeiro, Jesus Chediak, que era diretor da Fundação de Artes do Estado do Rio de Janeiro (FUNARJ), participou ativamente desse processo. Uma das sugestões dadas por Jesus está registrada neste documento. Ele sugeriu que o Teatro Permanente fosse inaugurado com o Teatro Musical Brasileiro, de Luiz Antônio Martinez Corrêa. Infelizmente, porém, o Teatro Permanente do Rio não saiu do papel.
Mulheres de Nelson
Em 2013, ano seguinte ao centenário de nascimento de Nelson Rodrigues, Jesus Chediak dirigiu "Mulheres de Nelson", no Teatro SESI do Centro do Rio. A peça reuniu personagens femininas de sete obras rodriguianas. Edu Toledo ficou com a direção musical e trilha sonora. A cenografia foi de José Dias e a iluminação, de Aurélio de Simoni e Walace Furtado. Flávia Tápias assinou a preparação corporal e Rose Gonçalves, a vocal. O elenco era formado pelas atrizes: Ângela Valério, Heloísa Machado, Kenya Costta, Lara Toledo, Maria Júlia Garcia, Paloma Chediak e Rossana Ghessa. No vídeo, reportagem do “Que Delícia Show”, apresentado por Eduardo Guevara, traz os bastidores do espetáculo.


