

Na coxia, contra a ditadura
Para um artista como Jesus Chediak, encontrar formas de resistir ao arbítrio foi um processo natural. Ele acreditava num mundo fraterno, com justiça social, e assim não poderia compactuar com regimes que oprimem o povo. Contra a ditadura militar, ele não esteve na linha de frente, não pegou em armas de fogo, mas, nos bastidores, se movimentou com outras armas colaborando para a garantia das liberdades individuais e coletivas.

Os nove do Glória

Segundo informações de Isabella Thiago de Melo, filha do poeta amazonense, Jesus Chediak teve atuação importante durante o momento que ficou conhecido como “Os nove do Glória”, ocorrido em 1965, quando Castelo Branco se reuniu com representantes da OEA para discutir “a democracia no continente”. “Um grupo de intelectuais achou aquilo um desaforo e foi para a frente do hotel Glória, onde aconteceu a reunião. Estou falando de Carlos Heitor Cony, Thiago de Melo, Márcio Moreira Alves, Antônio Calado, Joaquim Pedro de Andrade, Glauber Rocha, Mário Carneiro, Flávio Rangel e o embaixador Jaime Rodrigues. Esses nove intelectuais, junto com estudantes, abriram faixas na frente da OEA e foram presos por estarem ali protestando contra a ditadura, a favor da liberdade. Jesus mexeu seus pauzinhos para que os intelectuais fossem libertos. Esse engajamento dele é confirmado por várias pessoas”, conta Isabella.
Banquete dos Mendigos
Segundo informações de Heloísa Lustosa, Jesus Chediak colaborou decisivamente para a realização do show “Banquete dos Mendigos”, realizado em 13 de dezembro de 1973, que desafiou a ditadura. Isso porque Jesus ajudou a convencê-la a aceitar abrigar o show no Museu de Arte Moderna – o MAM. Na época, Heloísa era diretora do museu e Jesus também trabalhava lá, coordenando a sala dedicada às artes cênicas. O responsável pelo show foi Jards Macalé.



